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sábado, 22 de novembro de 2008

SÃO PAULO











por Washington Olivetto

Para a minha amiga Monica Oliveira, a mais paulistana!

Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York.

Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade.

Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.

Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma.

São Paulo, entre muitas outras parecenças, se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Pari, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.

São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país.

Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas.

São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.

São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido 'o mais querido'. Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras.

São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.

São Paulo já foi chamada de 'o túmulo do samba' por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.

Em São Paulo se faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.

Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror.

Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta.

São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas.

São Paulo teve o mau senso de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo.

São Paulo se poluiu visualmente com a CowParade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa.

Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tâmisa. Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima.

Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem.

Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.

São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.

São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.

E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o Sesc Pompéia, o palacete Vila Penteado, o Masp, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.

São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas.

Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais.

Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada.

Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor.

Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de Janeiro. O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Amizade

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Ele quem mesmo?

por Martha Medeiros

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia
eu recebo um e-mail dizendo: "olha, não dá mais". Tá certo que a gente tava
quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina
nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é
mesmo?

Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele
respondeu:"mas agora eu to comendo um lanche com amigos". Enfim, fiquei pra
morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor
para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais
inteligente, ele não volta pra mim? Foi assim que me matriculei
simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso
de cinema.

Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos,
espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada,
absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.

Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser
ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.

Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você
mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve.
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi
me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei
meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número
de leitores do meu site e nada aconteceu.

Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única! Eu
não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma
super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim. Foi então que
passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo
lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me
tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân,
tchân,tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei
meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os
pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz
milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me
apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.

Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar
sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente,
chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas,
claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.

Resultado disso tudo: silêncio absoluto.

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo
ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.

Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão
feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais
para ele.
Ele quem mesmo?

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Muito obrigada

Meninos: Wilton, Fernando e Eugenio, muito obrigada pelos comentários e visitas por aqui!
Valeu, gente.
Beijo.
:)

sábado, 11 de agosto de 2007

Aos meus amigos